Só porque ninguém te entende, não significa que você seja um artista

Arte é tudo aquilo que é considerado como tal. Não há mais regras. Na verdade, não precisa nem ser esteticamente interessante. Muitas vezes, uma obra de arte não tem o menor sentindo. E por que mesmo precisaria ter?

É simplesmente uma questão de ser reconhecido por seu público (sim, um objeto pode ser considerado arte por alguns e meros cadáveres empalhados para outros, por exemplo). Se você fosse o primeiro a expôr um mictório, talvez pudesse obter o mesmo sucesso de Marcel Duchamp. Ou talvez não.

Se classificar uma imagem como sendo arte já é bem complexo, o que dizer de um texto? Onde está o limiar entre o neologismo de Guimarães Rosa e o erro do João da Silva? Até onde podemos suprimir um pronome numa campanha publicitária deixando-a gramaticalmente incorreta? Seria realmente uma licença poética? Não sei, é difícil dizer o que é arte.

Mas, para mim, publicidade não é arte. Arte nos passa diferentes significados e sensações - o que possibilita várias interpretações. Já a publicidade canaliza os significados e as sensações em uma interpretação: compre. Seja uma imagem institucional ou um produto/serviço. Sendo assim, não teríamos direito à licença poética. Mas não me cabe julgar e, sim, o consumidor. E como diria um grande redator que foi meu dupla: Por que você está reclamando? Diretor de arte nem ao menos lê.

2 comentários:

redatozim disse...

A diferença do Guimarães e do João é a intenção. Vale o mesmo na publicidade, em minha humilde opinião.

Eduardo César disse...

Sua humilde opinião tem muito mais autoridade do que a minha nesta área Maurilo. Concordo com você em parte. Acho que, na publicidade, diferentemente de uma obra de arte, é difícil saber quando é intenção do autor ou não. Para o consumidor que percebeu como sendo intencional, ok. Já para aquele que achou que foi um erro, a mensagem transmitida não será tão positiva. É correr um risco muito grande para mim. É claro que cada caso é diferente. Se o dupla achar que vale a pena tentar, eu compro a aposta com ele. Afinal de contas, sou diretor de arte e, quando percebo um erro gramatical, é porque ele é grande.