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Campanhas reprovadas

Depois de ver os últimos debates dos candidatos à presidência da República, percebi um certo padrão de respostas no discurso de cada um que poderia ser utilizado em qualquer situação. Em exercício de imaginação, em um universo, não tão muito distante daqui, nossos candidatos assumem o papel de diretor de criação de uma agência de publicidade e acabam de saber que suas campanhas foram reprovadas pelo cliente.

Diretor de Criação da oposição: Atendimento, você fracassou. Nós temos os melhores quadros para criar esta campanha. Nós vamos reestabeler a credibilidade do cliente com esta campanha. Pegamos um briefing incompleto, falido e transformamos na melhor campanha deste cliente. Criamos o melhor texto desta agência, fizemos a melhor direção de arte da região sul, sudeste e centro-oeste desta agência. Esta campanha foi aprovada por 92% da criação. Esta é uma campanha criativa e transformadora e a sua reprovação pelo cliente só mostra que você fracassou mais uma vez.

Diretor de criação da situação: Atendimento, atendimento. Ai, ai, ai, atendimento. Nunca antes na história deste cliente, houve uma campanha tão criativa. Você, quando teve oportunidade de se reunir com cliente, escreveu um briefing de somente cinco linhas. Cinco linhas, atendimento. Nós fizemos um texto com 50. Não dá nem para comparar 5 com 50. Vocês, quando se reuniram, não trabalharam com imagem. Nós colocamos imagem em todos os layouts. Vocês não fizeram nenhuma campanha, só fizeram um briefing. Como é que, agora, vocês falam que querem uma campanha melhor do que a que eu criei se vocês, quando tiveram oportunidade, não fizeram nenhuma?

La mano de Dios en Brasil

Maradona, que provou ser tão bom de bola quanto polêmico também está dando uma mãozinha nas eleições no Brasil (involuntariamente, é claro).

São nada menos do que quatro candidatos, um a deputado federal e três a estadual, que tentam ganhar seus eleitores usando o nome do craque argentino (segundo La Nacion). É claro que essa associação dos candidatos ao nome do mito argentino não garante a vitória mas levanta uma bola: por que a nossa legislação permite que candidatos adotem qualquer nome para se promoverem?

Em tempo, antes que o camisa 10 argentino se considere o melhor do mundo, o jogo está empatado. Também há quatro candidatos  que utilizam o nome de outro camisa 10, Pelé. E essa eleição quem vai ganhar?

Que tal menos blablablá?

Interrompemos nossa programação para a veiculação da propaganda eleitoral gratuita. Essa frase é repetida exaustivamente a cada período eleitoral e, embora seja de fácil entendimento, sempre deixa uma dúvida no ar: gratuita para quem?

É claro que a veiculação de alguns minutos em cadeia nacional tem um custo (veja matérias na Exame e Isto É Dinheiro). Acho justo que as emissoras não arquem com ele sozinhas (cedendo o espaço de veiculação de propaganda para os partidos). Também acho complicado que os partidos banquem esse custo (principalmente os pequenos). O fato é que serão gatos pelo governo (por isenção de pagamento de impostos) R$ 851 milhões para financiar a veiculação da propaganda eleitoral gratuita nessa eleição. É muita grana, principalmente quando se compara com os gatos do governo em outras áreas (como fez a Isto É Dinheiro em sua matéria).

É importante que o Estado ofereça condições para que os candidatos se apresentem para a população. Mas será que isso não poderia ser feito pelo menos na metade do tempo e do dinheiro que é gasto hoje?

Não vote em Ninguém, mas em alguém

Escolher um candidato a vereador é muito difícil. Primeiro, porque pertencer aos quadros de determinado partido não significa que o candidato compartilha com os mesmo valores daquele (se é que se pode identificar claramente quais são os valores de um partido no Brasil).

Segundo, os candidatos não sabem quais são as reais atribuições de um vereador. Prometem mundanças em leis federais como redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário, por exemplo. Coisa que eles só têm autonomia para mudar a sua própria, uma vez que não precisam bater ponto. 

Mas o pior são os candidatos e partidos que tratam as eleições como se fossem piadas - na maioria das vezes, sem graça. Como votar num Raul Seixas que prega 'viva a sociedade alternativa' ou no bom velhinho Papai Noel. O único lado positivo destes candidatos é que eles facilitam o meu processo de seleção. Um partido que lança tais candidatos demonstra o quanto ele está comprometido com a cidade e o quanto ele é sério. E me permite eliminar, sem culpa, todos os seus candidatos do meu rol de escolhas.

Afinal, ninguém merece uma piada como seu representante na cidade.

Será que ninguém pode ser um bom vereador? (santinho retirado da coluna do José Simão no Uol).



Procuro por você, candidato.

Sou um voto conciente, sei que posso fazer a diferença, embora não consiga decidir uma eleição sozinho. Sei que governar e legislar não é um trabalho fácil - muitos já tentaram melhorar a cidade e não conseguiram. É por isso que, nesta eleição, vou me concentrar em um só tema.

Sendo assim, prometo digitar corretamente o seu número na urna eletrônica e lhe propiciar quatro anos de mandato se você se comprementer em tentar melhorar muito o trânsito desta cidade.

Espero propostas concretas para a aprimorar o transporte coletivo, que você lute pela liberação de verba junto ao governos federal e estadual para aumentar as linhas do metrô. É claro que você não precisa se limitar ao setor público, pode promover parceria com setor privado ou mesmo promover uma licitação para concessão pública, não vejo problema que uma empresa administre o metrô desde que ele seja eficiente.

Tenho esperança que você combata os tomadores de contas, uma praga que domina as vagas da cidade e que evite de maneira veemente sugestões porcas que só reduzem o sintoma por um tempo e não resolvem o problema, como o rodízio de veículos.

Se você tem a inteção de trabalhar neste tema, mande seu número. Não farei distinção por partidos ou apoios. Só me interessam as propostas.